A censura está em pleno andamento na era da internet …

23 de fevereiro de 2015

Até recentemente, os venezuelanos podiam encontrar informações poderosas sobre questões delicadas como a saúde de Chávez (ele morreu de câncer em 2013), estatísticas chocantes de crimes (a segunda maior taxa de homicídios do mundo) e gestão estatal do setor de energia (incluindo a maior reservas de petróleo).

Mas as coisas mudaram no primeiro semestre de 2014, com confrontos violentos entre os manifestantes e a polícia. Protestos de estudantes em resposta a um crime em um campus universitário se espalharam e se tornaram uma verdadeira crise para Maduro. Quando as mortes e feridos começaram a se multiplicar, o governo fechou o NTN24, um canal internacional a cabo que cobria as informações. Ele bloqueou todas as imagens no Twitter. Jornalistas, fotógrafos e operadores de câmera foram detidos e espancados. A mídia estatal mal noticiou a violência e os motivos dos protestos. Particularmente surpreendente foi a fraca cobertura da Globovisión, um canal de notícias 24 horas. Poucos meses antes, havia sido adquirido por uma seguradora supostamente próxima ao regime de Maduro. Foi a última estação de televisão que criticava o governo.

No Ultimas Noticias, a equipe investigativa liderada por Tamoa Calzadilla obteve um grande furo: um vídeo mostrando policiais e policiais à paisana atirando em um grupo de manifestantes em fuga e matando um deles. Embora o jornal tivesse acabado de mudar de mãos, Calzadilla e sua equipe postaram o vídeo na Internet. Suas reportagens levaram às primeiras prisões de membros das forças de segurança. Mas pouco depois, o presidente do grupo dono do jornal renunciou e foi substituído por um aliado do partido no governo.

No mês seguinte, Calzadilla apresentou ao novo diretor um relatório sobre os manifestantes e a polícia se preparando para os confrontos em Caracas. Conta que se recusou a emiti-lo a menos que dissesse que os manifestantes eram financiados pelos Estados Unidos (não havia evidência disso). Em vez de fazer isso, Calzadilla renunciou e, antes de sair do prédio, twittou a frase: “Primeiro o jornalismo”.

via A gag na era digital | Internacional | O PAÍS.

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